O que é e para que serve

Antonio Carlos Gomes da Costa

Neste início de um novo século e de um novo milênio, a UNESCO constata que o mundo do trabalho vem sendo reformatado, isto é, assumindo novas configurações em razão de um conjunto de fenômenos por todos nós já bastante conhecido e reconhecido:

 A globalização dos mercados, que elevou de forma historicamente inédita o nível de abertura das economias nacionais, embora, principalmente no Primeiro Mundo, ainda se registre graus variados de protecionismo em relação a produtos e serviços competitivos oriundos dos países emergentes e em desenvolvimento;

 A revolução tecnológica, introduzida pela informática, a telemática, a robótica, a nanotecnologia, a biotecnologia, os novos materiais e a convergência cada vez mais acelerada das mídias, propiciada pela extraordinária evolução das TCI (Tecnologias da Comunicação e da Informação);

 As novas formas de organização do trabalho, que se manifestam pela superação do paradigma do taylorismo-fordismo marcada pela tendência irreversível de ampliação e enriquecimento das tarefas, passando a requerer cada vez mais pessoas polivalentes, flexíveis e criativas na força de trabalho das organizações. Círculos de controle de qualidade, grupos criativos, células de produção, terceirização, empreendedorismo interno e externo às empresas e organização em redes são algumas das manifestações desse fenômeno.

Vistas em seu conjunto, essas transformações concretizam e expressam uma tendência irreversível e crescente em direção à desmaterialização do trabalho. Ao criar este termo, a UNESCO está se referindo à importância transcendental que o uso cada vez mais intensivo de conhecimento vem assumindo no processo produtivo de bens (agrícolas e industriais), de serviços (massivos e personalizados), de conhecimentos (tecnologias de produto e de processo) e de acontecimentos (liderança formal e informal).

Como preparar as pessoas para ingressar (qualificação), regressar (requalificação), permanecer (formação permanente) e progredir (desenvolvimento) no mundo do trabalho? Este é o grande desafio da educação empresarial nos dias de hoje. A formação inicial do trabalhador pode ocorrer fora da empresa (escolas técnicas, Sistema S e outras alternativas). As demais etapas, porém, frequentemente dependem de atividades formativas desenvolvidas por decisão alta gerência e execução por parte das áreas de gestão pessoal em cada organização.

Com as novas tecnologias e a desmaterialização do trabalho delas resultante, a educação empresarial se dividiu em dois grandes campos aparentemente contrapostos: a educação presencial (interação direta entre educando e educadores num mesmo espaço) e a educação virtual (ministrada por meio do uso intensivo da informática e da videocomunicação). Essa distinção, em nossa maneira de ver, não corresponde à realidade dos fatos. A educação presencial não é o contrário de educação virtual.

Na verdade, a educação presencial não depende necessariamente da presença física. Ela pode abranger processos educativos desenvolvidos em tempo real (simultaneidade) e em espaços fisicamente distantes uns dos outros. As tele e videoconferências estão aí para nos provar que estar presente não significa estar perto. Pessoas e grupos podem interagir à distância, levantando questões, respondendo perguntas, apresentando críticas e sugestões sempre “ao mesmo tempo e uma coisa de cada vez”.

Nos dias de hoje, toda a educação no mundo do trabalho tende a ser presencial. Esta presença, como vimos, pode ser física ou virtual. O que está em declínio é a educação à distância, entendida como o envio de materiais educativos por correio ou outros meios, segue-se o estudo desses materiais pelo educando, que responde aos exercícios apresentados e os envia ao educador que os corrige, formula observações e os reenvia ao educando e assim por diante. Existe ai o tempo e a distância como obstáculos à interação direta. Isto, definitivamente, não ocorre com a educação virtual. Nela o tempo e a distância foram vencidos.

Isso significa que a presença virtual tende a substituir de forma irrevogável e total a relação “de corpo presente” entre educadores e educandos? Qualquer pessoa com experiência e vivência concretas no campo da educação corporativa sabe muito bem que isso não é possível. Há momentos em que é indispensável que as pessoas estejam fisicamente próximas, de modo a gerar uma ambiência de relacionamento (a chamada “química”), propiciada pelo face-a-face, o olho-no-olho, a linguagem corporal, os contatos físicos propiciados pelas dinâmicas de grupo nas relações de cada uma delas consigo mesmas, com os outros e com o ambiente natural e humano que estão compartilhando.

A educação presencial física, ou seja, não-virtual continua indispensável em certos momentos estratégicos da vida das organizações. Porque isso ocorre? Há ocasiões em que, mais do que conhecimentos, as pessoas precisam relacionar-se umas com as outras com base na abertura, na reciprocidade e no compromisso com crenças, valores e significados compartilhados pelo grupo, de modo a propiciar o estabelecimento de condições que permitam o exercício de influencias construtivas entre elas, por meio do estabelecimento de relações de qualidade entre os participantes de um processo formativo. Isto posto, é possível analisarmos cada um dos elementos coconstitutivos de uma verdadeira educação presencial num mesmo espaço:

Abertura, enquanto processo que permite a uma pessoa deixar-se penetrar pela experiência vivenciada por outra pessoa e, ao mesmo tempo, ter a disposição sadia de penetrar a experiência do outro, de modo a que ambas saiam enriquecidas desse relacionamento;

Reciprocidade, entendida como um troca-troca (comércio singelo) de “pequenos nadas” entre as pessoas ao longo de uma ação educativa: olhares, sorrisos, comprimentos, gestos, palavras, brincadeiras, toques e outras formas de interatividade, que só a educação de corpo presente é capaz de possibilitar. Estes pequenos nadas podem ser tudo na transformação de um ambiente de trabalho, de uma sala de aula, de uma convivência familiar, do convívio entre pacientes e pessoal de saúde num hospital ou da relação entre empresas e clientes entre muitas outras possibilidades;

Compromisso, estabelecido por meio de relações de corresponsabilidade entre pessoas e grupos no interior de uma organização ou na relação da mesma com os públicos considerados estratégicos para a sua sobrevivência, o seu crescimento e a sua sustentabilidade ao longo do tempo. Este tipo de relação não significa que uma das partes assume responsabilidade em relação à outra, mas sim, que cada uma delas ajude a outra a assumir suas próprias responsabilidades.

Foi pensando dessa forma que criamos o CEP (Centro de Educação Presencial). Por meio dele, nós oferecemos espaços estruturados (áreas de capacitação e hotelaria) para a prática de atividades formativas que envolvam os elementos acima descritos (abertura, reciprocidade e compromisso). Além disso, nossa organização de consultoria (Modus Faciendi) utiliza-se do Centro para oferecer cursos e outras formas de capacitação dirigidas ao mundo empresarial, às políticas públicas e às organizações do terceiro setor. Nosso propósito, portanto, é oferecer condições ideais para que cada organização desenvolva suas próprias atividades e, além disso, oferecer produtos educativos que desenvolvemos ao longo de 16 anos de presença no campo do desenvolvimento de organizações por meio do desenvolvimento das pessoas que as constituem. Afinal de contas, uma organização é sempre uma pessoa de pessoas.


Curriculum Vitae

Antonio Carlos Gomes da Costa
Educador, consultor e escritor

Estudou medicina (UFMG) de 1971 a 1973. Em 1974 ingressou no curso de Pedagogia da faculdade de Educação da mesma universidade (1º lugar). Graduando-se em pedagogia. Após lecionar no ensino regular, no ensino supletivo e no pré-vestibular, assumiu, com sua esposa Maria José, a direção da Escola FEBEM Barão de Camargos em Ouro Preto. Considera essa experiência de sete anos, em que residiu dentro de uma unidade de atendimento a adolescentes em situação de risco pessoal e social, a base de todo seu trabalho social e educativo até os dias de hoje.

No setor público, foi Secretário de Administração do Município de Ouro Preto, presidente da FEBEM/MG no Governo Tancredo Neves, assumindo em seguida a Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte.  Em 1985, ingressou no UNICEF, como oficial de projetos na área de crianças e adolescentes em circunstâncias especialmente difíceis. A partir de 1986, sua atuação concentrou-se na advocacia ética, social e política em favor do novo direito da criança e do adolescente, trabalhando junto a um amplo arco de forças da sociedade civil, do mundo jurídico e do Poder Público, que influenciou, por meio de emendas populares, a Assembléia Nacional Constituinte e posteriormente o Congresso Nacional. O resultado deste esforço foram os artigos 227 e 228 da Constituição Federal e a Lei 8069/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente). Após deixar o UNICEF, por indicação desse organismo internacional e da CNBB, assumiu a diretoria executiva e logo após a presidência do CBIA (Centro Brasileiro para a Infância e Adolescência), cargo do qual se exonerou, a pedido, em janeiro de 1993, encerrando sua trajetória na vida pública.

Em janeiro de 1993 criou a Modus Faciendi – Desenvolvimento Social e Ação Educativa – uma organização privada de consultoria, que atua junto a organismos internacionais, órgãos governamentais, organizações do terceiro setor e mundo empresarial. Após 16 anos, atuando nos campos da educação escolar, social e empresarial --- como consultor, educador e escritor --- prestou serviços a um número considerável de organizações, conforme se pode verificar na relação de nossos clientes no site www.modusfaciendi.com.br.

Em 2007, criou o CEP (Centro de Educação Presencial Lagoa Santa) e a FAMJ (Fundação Antonio Carlos e Maria José). O Primeiro, voltado para a sessão de espaços formativos e apoio de hotelaria para a realização de eventos educativos. A segunda, dedica-se à formação de lideranças para o desenvolvimento sustentável.

Principais reconhecimentos: Medalha do Aleijadinho (Ouro Preto); Medalha do Mérito Legislativo de Minas Gerais; Grande Medalha da Inconfidência – MG; Comenda da Ordem Rio Branco (Presidência da República); Medalha do Mérito Educativo de Minas Gerais; Prêmio Nacional de Direitos Humanos (Ministério da Justiça); Medalha do Mérito Santos Dumont – MG (Grau Ouro); Prêmio Transformadores do Brasil da Revista TRIP 2008 entre outros.

Trabalhos publicados: É autor de dezenas de livros e artigos nos campos da educação escolar, social e empresarial, conforme se pode verificar no site da Modus Faciendi (clicar Clipping/Livros Publicados).

CEP - Hotel, Centro de Capacitação e Convenção - 2010
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